quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Alimentos consumidos por milhões de pessoas no RS têm agrotóxicos proibidos

29/12/2016
Foto: Sylvia Wachsner
Foto: Sylvia Wachsner
Segundo reportagem exibida hoje, 29 de dezembro, no telejornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, alimentos que chegam para 5 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul estão contaminados com agrotóxicos proibidos. Muitos desses pesticidas entram ilegalmente no país pelas fronteiras.
Em uma operação feita na BR 290, em Eldorado do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu uma carga suspeita e acabou encontrando uma grande quantidade de Benzoato de Emamectina, um inseticida proibido no Brasil, autorizado somente para uso emergencial em casos de infestação de lagartas. O inseticida vem da China e entra ilegalmente no país pelas fronteiras.
Em Ciudad del Este, no Paraguai, a negociação começa já nas ruas. A venda acontece também em grandes lojas de defensivos agrícolas, sem a necessidade de receita. Alguns agrotóxicos são ilegais e outros são proibidos para determinados tipos de alimentos. Mesmo assim, eles acabam parando na mesa da população brasileira.
Segundo a Anvisa, os alimentos mais contaminados são alface, cenoura, morango, pepino e pimentão.
Os profissionais responsáveis pela reportagem compraram quatro amostras de cada um desses produtos vendidos na Ceasa em Porto Alegre. A coleta foi feita junto com especialistas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que a pedido do grupo RBS, afiliada da Rede Globo, analisaram as amostras. Das 20 amostras, nove estavam contaminadas com substâncias que não deveriam chegar a mesa do consumidor.
Nós não temos a menor ideia do que todos esses agrotóxicos combinados vão fazer dentro do nosso corpo. Mas, o que a gente tem visto hoje, é o aumento de doenças que as pessoas falam que ‘nem a ciência, às vezes, sabe de onde veio’
Gabriel de Carvalho (Farmacêutico – Bioquímico)
Entre os principais agrotóxicos encontrados está o metamidofós, totalmente proibido no Brasil desde 2012. O agrotóxico, encontrado no pepino, pimentão e alface, está relacionado a problemas no sistema respiratório, endócrino e reprodutor. Outro agrotóxico encontrado foi o acefato. Substância de uso restrito, autorizado para algumas verduras, mas proibido para os alimentos onde foi encontrado na análise. Estava presente na cenoura, pepino, pimentão e alface. Esse agrotóxico é associado à depressão e à doença de Parkinson.
Segundo levantamento do INCA, Instituto Nacional do Câncer, o Brasil é o maior importador mundial de agrotóxicos e também o maior consumidor.
De olho no uso excessivo de agrotóxicos em produtos da Ceasa, o Ministério Público propôs a quatro anos um termo de ajustamento de conduta. O acordo prevê a realização de 20 exames por mês, mas essa quantidade nunca foi alcançada.
O presidente da Ceasa/RS, Ernesto Teixeira, aponta como principal problema a estrutura do laboratório central do estado, responsável pelas análises. “A máquina do laboratório ficou estragada uns 6 meses. Nós mandamos várias notificações para a Secretaria de Saúde”, afirma.
Marilina Bercini, diretora do Centro de Vigilância em Saúde, declarou que o problema já foi resolvido. “As coletas não foram feitas porque o laboratório não estava podendo processar pelo problema da manutenção da peça. Foi tudo resolvido e o equipamento está em condições plenas de funcionamento”.
Depois das denúncias, foram realizadas duas reuniões entre a Ceasa, Ministério Público, produtores e representantes do laboratório do estado para a retomada das análises. A administração da Ceasa se comprometeu a acompanhar os resultados. Mas, as análises, ainda não começaram a ser realizadas.
A Polícia Rodoviária Federal do Rio Grande do Sul afirmou que não trabalha com uma fiscalização específica para agrotóxicos, mas faz operações permanentes contra crimes nas fronteiras e reconheceu que esse tipo de apreensão tem sido cada vez mais frequente nas rodovias gaúchas.
Assista o vídeo da reportagem clicando na imagem abaixo:
imagem-reportagem-1

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Brasil deve ter nova lei trabalhista rural em 2017!


Brasil deve ter nova lei trabalhista rural em 2017 


Ponto alto da proposta é legalizar o que for acordado entre patrão e empregado.


Leia mais no Canal Rural!

-> Leia mais no link http://www.canalrural.com.br/noticias/direto-ao-ponto/brasil-deve-ter-nova-lei-trabalhista-rural-2017-65068.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Na cor da natureza

Erva-mate produzida em Seberi segue as tradições antigas, com preservação do meio ambiente e sem uso de agrotóxicos

Por: Almir Felin - rural@folhadonoroeste.com.br


Erva-mate agroecológica produzida em Seberi já chegou a a ser consumida na Alemanha (Foto - Almir Felin)

Uma cultura que é mantida há mais de 150 anos é tida como exemplo para outros agricultores no município de Seberi. Quando os avós de Vilson Gehn introduziram os primeiros pés de erva-mate de barbaquá na linha Pires não imaginavam que a atividade seguiria por tanto tempo. Porém, a família manteve a tradição e hoje na propriedade de 13 hectares são cultivados 5 hectares de erva-mate. Com a atividade, o casal Vilson e Salete conseguiu manter dois dos três filhos em casa, trabalhando na propriedade, além de mais duas famílias que conseguem obter renda com essa produção.
E todo esse processo é realizado de forma natural, aliado à criação de animais e outras plantas e preservando as tradições de antigamente. A matéria-prima colhida da mata passa por vários processos, como corte, sapeco, secagem (dura em média três dias), cancheamento (trituração das folhas), moagem, mistura até ser empacotada para a comercialização.
– A erva-mate tem um consumo muito grande e a que é produzida aqui é limpa, sem produtos químicos. Além disso, conseguiram chegar ao ápice de um sistema agroflorestal e que temos utilizado como modelo para outras propriedades, trazendo também outros agricultores para conhecer esse trabalho –, disse a membro da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) de Seberi, Debora Varoli.
Um dos filhos de Vilson, Tiago Gehm conta que é feito um equilíbrio para ter produção o ano todo, como a poda das árvores. “A erva-mate que produzimos aqui tem um sabor próprio, devido ao processo de fabricação e características do local. Temos uma preocupação muito grande com a qualidade do produto. Na propriedade não é aplicado nenhum tipo de agrotóxico e o processo de secagem ajuda a originar uma boa erva-mate”, afirmou.
Após muita luta, a certificação
Foram anos de muito empenho por parte do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) para obter junto ao Ministério da Agricultura o selo Ecovida, o qual certifica a produção agroecológica. O certificado tem validade de um ano e permite a troca de conhecimento e experiências, bem como a conscientização para o uso de práticas sustentáveis.
– A certificação é muito importante porque coroa um trabalho que as famílias fazem há anos. Esse processo sempre foi muito penoso, até chegar no selo de reconhecimento, em virtude de toda a burocracia que há. Encaramos esse desafio e estávamos nessa luta há um ano. Os produtos que saem dessas propriedades dão segurança aos consumidores de que estão ingerindo alimentos limpos, sem agrotóxicos e com respeito à natureza –, ressaltou Varoli.
Este é o reconhecimento do trabalho que vem sendo feito há bastante tempo, conforme afirma Tiago. “Buscamos agora a legalização para podermos vender a produção sem as barreiras da vigilância sanitária, um processo legal em todos os aspectos, mas preservando a maneira de produção”, concluiu.
Atualmente a família Gehm comercializa a maior parte da produção na própria propriedade. No entanto, essa erva-mate já atravessou fronteiras, chegando inclusive a países como Alemanha e Estados Unidos.
  

sábado, 3 de dezembro de 2016

Veja como um simples post no Facebook viralizou e virou a indústria alimentícia de ponta cabeça no Canadá

Retirado do HYPENESS.

A maior vendedora de ketchup do mundo sofreu um abalo em seu império, e não foi através de marketing da concorrência. Tudo começou com um mero post descompromissado de um usuário comum do Facebook.

Quem escreveu o post foi Brian Fernandez, morador de Orillia, cidade de 30 mil habitantes na província de Ontario, no Canadá. Sua rede pessoal possuía, até o momento da postagem, somente 423 amigos. Em pouco mais de três dias, no entanto, o post já tinha alcançado mais de cem mil compartilhamentos.

Brian mostra uma garrafa de ketchup da marca French’s, elogiando o sabor do produto, o fato de ser livre de conservantes, e de ser fabricado no Canadá, com tomates canadenses.

Mais do que isso, Brian critica o fato da marca Heinz, líder de mercado, ter abandonado sua produção e fabricação na cidade de Leamington, deixando pra trás 740 empregos. Os tomates de Leamington, porém, foram utilizados justamente pela marca French’s para criar seu produto. Brian diz ter comprado uma garrafa de French’s e adorado. O post terminava com um singelo e cínico adeus: Bye, bye, Heinz.

Inicialmente através de compartilhamentos de amigos somente, o post de Brian viralizou e reverberou extremamente. Com um texto bem escrito e pesquisado, a postagem de Brian serviu de base e incentivo para centenas de campanhas, onlines e offlines, de boicote ao produto da Heinz e de estimulo para o consumo do ketchup fabricado no Canadá.

“Cento e dois mil, quatrocentos e vinte e dois compartilhamentos do meu post original. Eu só postei para os meus 400 e poucos amigos. Incrível o poder das mídias sociais (…)”

Mais de 200 jornais, blogs e sites de notícias deram eco ao texto de Brian, e o resultado foi claro e imediato: em poucos dias, enquanto os estoques de Heinz permaneciam empacados nos supermercados, o ketchup French’s simplesmente desapareceu das prateleiras do país.

Ninguém duvida do poder de mobilização que a internet pode ter, mas é ainda bastante difícil de prever o que se tornará viral e o que não passará de um post ordinário. De qualquer forma, é bonito ver as pessoas confiando mais em um consumidor comum do que em uma mega campanha de marketing – assim como é um alívio ver que as empresas hoje necessariamente precisam pensar em seus consumidores não como números, mas como pessoas, pois nunca se sabe de onde virá a próxima denúncia a se tornar viral.































Resta saber agora o que a Heinz vai fazer para reverter esse quadro.

FONTE: HYPENESS